terça-feira, 26 de abril de 2011

A pessoa perfeita


O lance de se idealisar a pessoa perfeita acontece logo que nos entendemos por gente. Quem nunca teve um poster do artista do momento na parede do quarto? (minha filha tinha um dos Jonas Brother e um do Justin Bieber), ou mesmo uma foto desse ou daquele artista, colada na contracapa do caderno? Minha garota ideal, ocupou meus pensamentos puerís quando eu tinha uns seis ou sete anos, isso ocorreu no início da década de 80. Uma cantora mirim, chamada Nikka Costa – acredito que muitos dos que lerem este post irão se lembrar dela, quem nunca ouviu falar vale a pena uma busca no YouTube – Essa menina tinha uma voz angelical e cantava belíssimas músicas de amor, ela foi a garota dos meus sonhos. Ainda hoje me recordo acordando pela manhã fazendo juras de amor a ela.
Na adolescência esse sentimento de ser encontrar o grande amor acontece com um pouco mais de desleixo, mas ainda assim é latente. Geralmente cantores e artistas bonitões povoam as mentes das meninas. Já os garotos só querem curtir a fase e buscar a tão sonhada auto-aceitação em algum grupo de sua faixa etária. Os namoricos e “ficadas” vêm e vão, alguns bem firmes que duram até chegarem ao casamento e outros são tão rápidos que nem mesmo se dá para lembrar dos nomes dos affairs.
Mas é na fase adulta que realmente se aplica a lei da idealização do par perfeito. Talvez porque não há mais tempo a perder e as pessoas estão mais propensas a tomar decisões que elas sabem que irão impactar as suas vidas, e também há o sentimento de medo em não errar ao se fazer uma escolha tão importante. Não quero abordar o pormenor dessa fase da vida, tais como a escolha de uma carreira, cuminando com os estudos, faculdade, socialização e demais desafios. Quero me ater àquilo que reside e se esconde lá no fundinho do coração de cada um de nós que já teve tempo suficeinte de pensar em alguém para passarmos o resto de nossas vidas.
Já ouvi homens dizendo que a mulher perfeita é a Renata Fan, apresentadora do Jogo Aberto – programa esportivo transmitido pela tv Band na hora do almoço – a justificativa é que ela é loira, bonita, inteligente e entende de futebol. Para as mulheres eu não consigo pensar em um estereótipo, mas sei que algumas das qualidades preferidas são: amoroso, carinhoso, atencioso e alguns outros “osos” que não precisam ser mencionados aqui.
A verdade é que todo mundo sonha em ter alguém que o complete, que seja a sua outra metade.
Eu também já ouvi alguns absurdos nessa minha vida, como uma mãe que disse ensinar aos filhos que é muito fácil escolher uma mulher ideal, basta que ele identifique em suas pretendentes, os atributos e qualidades dela mesma, de sua própria mãe. Pode até haver aqueles que concordem – viva a liberdade de pensamento – mas eu, pessoalmente, rechaço veementemente qualquer conselho nesse sentido. Por quê? Bem, deixo isso para um outro post quando falarei do desapego natural dos filhos e dos pais.

Agora colocando a minha visão de pessoa ideal: ela simplesmente não existe. Não acredito em alma gêmea, destino, simpatias e demais feitiçarias. Acredito em se moldar a pessoa que amamos desde que também nos moldemos a ela.
Para mim, o tempo é quem vai determinar o quão perfeito somos uns para os outros e o quanto você tem se dedicado para ser perfeito para a pessoa que você ama e convive.
Recentemente estive conversando com uma jovem colega de trabalho e ela me expôs suas preocupações quanto ao pedido de casamento que recebera.
O medo dessa jovem é que seu namorado era um rapaz um tanto inseguro, pouco determinado e quase nada decisivo, de maneira que sempre sobrava para ela as decisões das vidas de ambos, e que ele sempre concordava com tudo o que ela escolhesse. Isso causava um certo desconforto nela e por isso não sabia se o casamento seria uma boa idéia. Perguntei então a essa jovem se ela o amava. Ela respondeu que sim, que ele a tratava com o carinho e atenção que não recebera de namorados anteriores. Eu então deixei claro para ela que isso era o que bastava. Defeitos, manias e pequenos vícios todos nós temos e demoraremos um pouco para perdê-los. Aconselhei-a que ponderasse o quanto ela poderia ajudá-lo no dia a dia juntos, quantas situações não se colocariam a frente deles para que ela pudesse ensiná-lo e motivá-lo a corrigir essa pequena dificuldade, pois tudo o que ele de repente podia estar precisando, é que ela estivesse mais próxima a ele quando uma decisão importante tivesse que ser tomada.
Acho que ela ponderou bem, porque semanas depois contou-me radiante que aceitara ao pedido de casamento e que os preparativos para esse sublime momento já estão sendo iniciados.
É nisso que acredito. Que os desafios e situações comuns nas vidas de duas pessoas irão ajudá-las a desenvolver qualidades mútuas e farão com que se corrijam imperfeições que desagradam ao seu cônjuge. É claro que uma boa dose de humildade e auto-análise são muito bem vindas. Sei que não é fácil, mas tenho visto efeitos milagrosos em alguns relacionamentos.
Há pessoas que namoram por vários anos, para conhecer melhor a pessoa com quem estão se relacionando. Já ouvi até a falácia de que jamais se casariam com alguém que não tivessem “experimentado” antes (é, estou me referindo a sexo, mesmo). Só o que faltava era que as pessoas virassem artigo de degustação.
Muitos que me conhecem sabem o quanto acho estranho se namorar tanto tempo sem que se casem logo. Eu, por exemplo, namorei por um ano, noivei por três meses, e me casei. Mas as pessoas costumam dizer que não sou parâmetro. Mas em contra partida, conheci e ouvi dizer de casais que namoraram por oito anos e permaneceram oito meses casados.
Howard W. Hunter, antigo presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, disse a seguinte frase: “A felicidade e o sucesso no casamento geralmente não é tanto uma questão de casar com a pessoa certa, mas, sim, de ser a pessoa certa”. E aqui encontro o lastro para a segunda coisa que acredito, a em que para termos alguém perfeito ao nosso lado, temos que trabalhar a nós mesmos para nos tornarmos o mais perfeito possível para a pessoa que amamos. Será que estou sendo aquilo que desejo que meu cônjuge seja para mim? Essa é a pergunta que devemos fazer constantemente ao longo de nossa vida de casados.
Não tem nada mais gratificante do que aprendermos juntos em um casamento a vencer nossas imperfeições, reconhecendo e sendo reconhecido de que estamos mudando para melhor. Assim,  aos poucos iremos desmontando em nossas mentes aquele esteriótipo que um dia idealisamos de homem ou mulher ideal.
Para aqueles ou aquelas que ainda procuram pelo par erfeito, eu insisto: desistam de sua busca imediatamente, essa pessoa simplesmente não existe. Comece a ouvir seu coração e deixe que sentimentos de ternura e bem querer conduzam vocês para os braços de quem, por mais imperfeito que possa ser, tem aquilo que você precisa para se iniciar uma bela caminhada juntos.
Amigos, não pensem que estão se arriscando ao escolher alguém, porque penso até hoje o quanto a minha esposa se arriscou ao escolher a mim! Pensem o mesmo antes de escolher alguém.
Encerro com as palavras sábias e inspiradoras de Thomas S. Monson, atual presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: “(...)Talvez tenham medo de fazer a escolha errada. Quanto a isso digo que precisam exercer fé. Encontrem alguém que lhes possa ser compatível. Compreendam que não serão capazes de prever todos os desafios que podem surgir no casamento, mas tenham a certeza de que quase tudo pode ser resolvido se forem flexíveis e se estiverem comprometidos a fazer seu casamento dar certo. (Relatório da 181º Conferencia Geral, Abril de 2011 – para o discurso completo, acessar: http://lds.org/general-conference/2011/04/priesthood-power?lang=por).

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