terça-feira, 19 de abril de 2011

Paciência para com os filhos


 Certo dia uma mulher descançava ao banco de uma praça quando deparou-se com uma cena que chamou a sua atenção. Um homem observava o seu filho que aparentava ter uns 5 ou 6 anos de idade. O garoto gritava e chorava histericamente pedindo algo ao pai, esse último, por sua vez, dizia repetidamente em tom brando: “Calma, Otávio, calma.” Mas o garoto não parecia nem um pouco interessado naquela ordem. E a cena se repetia, e foi ficando cada vez pior. Agora o menino estava se jogando ao chão e, com os punhos cerrados, esmurrava o gramado da praça. O pai, pacientemente dizia: “Calma, Otávio, calma.”
Então, aquela mulher, não aceitando mais a situação incômoda que insistentemente se desenrolava à sua frente, levantou-se de seu banco e foi em direção aquele pai. Ela aproximou-se e disse: “Olha, o senhor é um homem muito complacente. Estou ali há alguns minutos e tenho visto sua enorme paciência para com esse seu filho, Otávio. O senhor acha mesmo que apenas pedindo calma a ele, vai ajudar?” O pai então largou a mão do filho que teimava em se jogar ao chão, e meio atrapalhado pelo som estridente do choro do garoto, disse sorrindo para aquela mulher: “A senhora não entendeu. Meu fiho se chama Tiago. O Otávio aqui, sou eu!”
As pessoas me perguntam muitas vezes se criar 6 filhos é difícil no tocante às finanças, pois imaginam que deve ser muito dispendioso fazer compras de alimentação, vestuário, educação, tratamentos médicos e assim por diante. Sempre respondo que para essas coisas dá-se um jeito, sempre se consegue levar com um pouco de economia e muito trabalho. Mas sempre respondo que o mais difícil é mesmo ter paciência para aguentar tantas coisas que eles aprontam no dia a dia.
É importante ter algumas coisas em mente quando se educam os filhos, ainda mais muitos filhos. Eu devo confessar que nem sempre coloco as teorias da psicologia moderna em prática, nem sempre faço uso do diálogo e do papo aberto para repreender a meus anjinhos. Em algumas oportunidades, recorro, sim, a os velhos métodos de nossos antepassados como um puxão de orelha e umas boas palmadas na bunda.
Xiiii... os mais modernos irão puxar a “minha” orelha ao ler o que acabo de escrever. Mas vou justificar um pouco essas atitudes que, repito, às vezes, eu recorro.
Um dia desses estava lendo as notícias no UOL quando vi que a Xuxa, em um evento beneficente, havia se estranhado o Milton Gonçalves, aquele brilhante ator global, o qual já trabalhava e fazia sucesso na TV brasileira quando a “Rainha dos Baixinhos” ainda engatinhava nos programinhas de auditório.
O fato ocorreu, como eu me referi anteriormente, na cerimônia de lançamento do projeto Carinho de Verdade na noite do dia 19/10/2010, projeto esse que combate à violência e a exploração sexual de crianças. Em um dado momento Milton Gonçalves, que o mestre de cerimônias do evento, disse a seguinte frase quando falava sobre dar amor aos filhos: “Às vezes, até mesmo uns cascudos podem representar uma forma de afeto.” Isso revoltou a Xuxa, que o criticou publicamente alegando que ele estava incentivando à violência.
Sinceramente, amigos, com quem vocês preferem ficar? Sem querer ser tendencioso, mas que tipo de respaldo a Xuxa tem para falar de educação de filhos?
Eu jamais soube ou li que Milton Gonçalves (um dos maiores atores brasileiros, na minha modestíssima opinião), estivesse envolvido em qualquer escândalo ou em acusação de violência, ou seja, não há nada que o desabone como homem, logo como pai. Já a nossa apresentadora, que fez fama e fortuna (por meio de seu carisma e competência), com o público infantil – e aqui eu me incluo, embora curtia muito mais o Praga e o Dengue no extinto Show da Xuxa – tem contra si um punhadinho de fatos e ocorrências que depõem contra sua postura de paladina do amor e do carinho materno. É só fazer uma busca rápida pelo Google e logo se multiplicarão vídeos e reportagens no mínimo contrangedoras envolvendo Xuxa e crianças. Aliás, é melhor não fazer essa busca, não.
O caso aqui não é difamar esse ícone de nossas infâncias, mas sim concordar com a colocação de Milton Gonçalves. Eu acredito que uma boa palmada na bunda e uns cascudinhos podem ajudar na formação do caráter de nossos filhos.
Como cheguei a essa conclusão? Fácil! Por experiência própria. Meus pais não foram espancadores, mas me davam belas surras quando eu extrapolava nas minha traquinagens e, acreditem, foram muitas. Nem por isso cresci um delinquente, tão pouco contribui para a degradação da sociedade, pelo contrário, esse blog é prova de que quero ajudar a transformar o mundo para melhor. E amo e agradeço aos meus pais por me ajudarem na condução de meu caráter, tanto pelas palmadas como pelo amor e carinho com que cuidaram de mim.
Quero deixar muito claro que não sou a favor da violência doméstica, não sou a favor de abusos por parte de pais inpacientes e desprovidos de racionalidade. O que defendo é a rigidez na correção por amor aos filhos, para que eles vejam o quão sério e prejudicial é para suas próprias vidas adotarem quaisquer tipos de condutas inadequadas.
Mas como desenvolver e aplicar a paciência para com os filhos?
Eu rescpondo com aquilo que faço e com aquilo que ainda estou aprimorando.
O mais importante é ser amigo dos filhos. Fazer parte do mundo deles, conversar com eles, saber de seus gostos, de seus anseios e de seus desejos, participar de seus desafios e encorajá-los a vencer seus medos. Filhos gostam de companhia, eles querem estar perto dos pais, embora muitas vezes pensamos que eles nos vêem como caretas e ultrapassados. O que eles querem são líderes e ídolos. E que tal que esses ídolos, sejam vocês?
Adoro sentar com meus filhos em frente à TV e assistir aos programas que eles gostam, ouvir as músicas que eles ouvem, mesmo que isso implique no sacrifício de se escutar Justin Bieber, Lady Gaga, Avril Lavigne e outros.
Digo isso porque se vocês conseguirem ser amigos de seus filhos, não precisarão ser rudes e nem utilizar de métodos violêntos para educá-los.
É muito importante também separar essas duas palavras: Educar e Corrigir.
Educamos nossos filhos com nossas ações diárias, ensinando princípios virtuosos tais como honestidade, bondade, amor ao próximo, respeito aos mais velhos (quando esses merecem respeito), castidade, conduta moral etc.
Corrigimos nossos filhos quando esses se distanciam daquilo que ensinamos ser o que é correto, quando eles vão de encontro aos princípios acima expostos durante o processo de educação que dispensamos a eles.
Ao educar um filho, não podemos deixar de usar, não a maior, mas a única ferramenta existente para ensinar: o Exemplo.  Se não sou um bom exemplo, jamais terei condições morais de corrigir um filho quando ele toma uma atitude contrária aos princípios que eu mesmo estou ferindo. Para ser mais franco e direto, não posso repreender meu filho quando ele age de maneira desonesta, se em algum dia ele me viu embolsando um troco a mais que o caixa do mercado me deu por engano. Esse é apenas um exemplo de situação, mas há diversas outras que passam desapercebidas por nós, mas não pelos olhinhos atentos de nossos pequeninos.
Nunca use de tapas ou puxões de orelha sem antes ter falado pelo menos três vezes com seu filho – mas experimente falar um pouco mais. Nunca batam em seus filhos na frente dos outros, apanhar já fere a auto-estima, se isso for feito em público, exporá ainda mais o ego dele – mas não guarde sua fúria para quando estiverem a sós. Continuando nessa linha, nunca repreenda ou corrija seu filho movido pelo ódio e fúria do momento, espere a hora adequada para aplicar o castigo que ele precisa receber – mas não exagere na dose.

A verdade, amigos, é que não há um modelo ideal ou uma receita pronta para se educar e corrigir os filhos. Esses seres são inteligentes, cada um deles desenvolve logo cedo uma personalidade própria, e essa personalidade deve ser analisada e respeitada. Eu conheço a personalidade de cada um dos meus filhos e sei o limite que devo ir com cada um deles. Por exemplo, bater nas meninas, nem passa pela minha cabeça. Quanto aos meninos, tem sempre aquele que aguenta um pouco mais e aquele que é uma “manteiga derretida”, que apenas com um olhar já se desmancha em chorar.
O melhor é que não usemos tapas ou cascudos, que sejam utilizados apenas como último recurso. Mas não deixem de impor limites aos seus filhos, sobretudo quando eles forem pequenos, senão eles irão crescer entendendo que nada e ninguém poderá se sobrepor às suas vontades, e é daí que nascem aqueles que frequentam alimentam a mídia com notícias bárbaras de vioência contra os outros. Homens e mulheres que não conheceram limites quando criança são hoje os grande mal feitores da sociedade moderna.

2 comentários:

  1. Eu ainda não tenho filhos, mas isso com certeza me ajudará quando eu tiver...espero que seja rápidorsrsr

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  2. Obrigada por compartilhar suas experiências e suas idéias !!! Abraços Ana Paula Moises

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