sexta-feira, 1 de abril de 2011

Valorizar a vinda dos filhos

Hoje falarei um pouco sobre ter filhos.
Como disse no meu primeiro post, não quero posar de guru, dono da verdade, conselheiro, nada dessas coisas. Quero falar de minhas experiências e o que eu sinto a respeito de relacionamentos familiares.
Ontem fui a uma escola que quer me contratar como professor. Conversando com o dono do estabelecimento, o assunto acabou por tmar o rumo de ter "Filhos". Ele já tem 9 anos de casado, quer tê-los mas ainda está um tanto reticente.
Quando falo que tenho 6 filhos as pessoas no mínimo se espantam - o que é muito divertido de se ver - mas as feições mudam ainda mais quando digo que na verdade tivemos 8 gravidezes!
Eu gostaria de narrar as duas ocasiões em que perdemos nossos primeiros dois filhos. São experiências tristes, mas farei o possível para que as palavras aqui escritas não expressem completamente os sentimentos que tivemos naquela época. Por que quero fazer isso? Não sei bem ainda. Talvez durante a narrativa eu descubra.
Eu e a Célia nos casamos em 11 de fevereiro de 1994, ambos com 19 anos. Morávamos em Juazeiro, sertão da Bahia. Residíamos em uma casinha de um comodo e banheiro, na qual construímos uma parede bem ao meio para separar um "quarto" de uma "sala". Um ano após nos casarmos a Célia engravidou. Que maravilha! Ficamos muito felizes com a notícia. No terceiro mês ela sentiu dores na região abaixo do umbigo. Procuramos um médico e ele disse que poderia ser apenas uma adaptação do corpo à gravidez. Mas a dor aumentou e a Célia notava que pequenos sangramentos estavam ocorrendo. Voltamos ao médico, agora ele parecia mais preocupado. Examinou-a e receitou medicamentos que deveriam ser tomados sem falhas tanto nas dosagens quanto nos horários, e o repouso deveria ser absoluto.
Ela tomou naquele mesmo dia os remédios. Lembro-me de que era uma segunda-feira. As dores passaram. O dia inteiro da terça-feira também foi tranquilo, porém à noite ela queixou-se de que dores de pouca intensidade a incomodavam novamente. Fomos dormir. Naquela madrugada, fui acordado pelos choros da minha querida esposa. Vi-a sentada na cama, encostada à cabeceira. Toquei-a e perguntei o que estava acontecendo. Amigos, eu nunca vou me esquecer a maneira como que a Célia me olhou naquele momento. Com os olhos arregalados ela segurou a barriga e disse: “Meu filho!” De um só salto, deixou a cama e correu para o banheiro. O choro aumentou e ela repetia seguidamente: “estou perdendo meu filho.” O que se seguiu a isso foi minha correria desesperada ao bairro vizinho procurando um amigo que nos levasse a um hospital.
Não sei se vocês sabem, mas dizem que perder um filho é, fisicamente para a mulher, pior do que tê-lo. O tratamento que se faz (pelo menos naquela época se fazia) é doloroso – a mulher é submetida a uma curetagem, um tipo de raspagem uterina e depois uma cauterização é feita e isso exige muito, muito repouso para uma recuperação lenta. E a Célia, guerreira como sempre foi, recuperou-se muito bem.
Um ano depois, ela engravidou novamente. Maravilha! Agora, sim. Vamos ser recompensados pela triste perda anterior. Mais uma vez ficamos felizes e animados. Mas os fatídigos acontecimentos da última gravidez voltaram a ocorrer. Dores, sangramentos, médicos, remédios e medo.
Lembro-me que naquela época, no início do terceiro mês de gravidez, precisamos fazer uma longa viagem para São Paulo. Como não tínhamos recursos, e nem as empresas aéreas da época, que eram poucas, tínham a concorrência que há hoje e, portanto encareciam demasiadamente as passagens aéreas, precisamos ir de ônibus. A viagem de ída foi tranquila, estávamos sempre bem vigilantes a tudo.
Chegamos bem. Nos hospedamos na casa de meus pais, que moravam na época em Indaiatuba, belíssima cidade do interior de São Paulo. A Célia sempre repousando e tudo ia caminhando bem. Até que em uma noite quando passeávamos pelo centro da cidade, ao passarmos por uma calçada enfrente a uma casa de portões de barras de ferro, um enorme cachorro avançou em nós do outro lado do portão. Não preciso dizer o susto que levamos, inclusive a Célia. A partir dalí ela começou a não se sentir bem. Dias depois ela teve um pequeno sangramento. Fomos ao hospital e a médica disse que estava tudo bem, que ela tinha 50% de chances de segurar o bebê, mas ela precisaria repousar completamente. O problema é que nossa passagem estava marcada para retornarmos no dia seguinte.
Ficamos receosos de retornar, mas eu tinha que voltar a trabalhar naqueles dias e não conseguiríamos remarcar a passagem. Então conversamos, falamos com Deus e resolvemos voltar como estava programado. Se é que cometemos algum erro, foi esse. Embora eu acredite em prpósitos e não importasse  na época o quanto fizéssemos, acreditávamos que seria feita a vontade do Pai Celestial. Lembrem-se, isso tem a ver com confiança e não com loucura.
A viagem de volta foi problemática. Em uma noite o motorista saiu da pista. Mais um susto. No dia seguinte (sim, a viagem durava 40 horas), a capa de um dos pneus do ônibus desprendeu-se, chacoalhando o veículo e emitindo um som assustadoramente alto. Mais um susto.
Contudo, a Célia se mantinha fisicamente bem, embora assustada e preocupada. A barriga não doía tanto, mas de vez em quando sentia algumas “pontadas”. O restante da viagem transcorreu sem mais sustos.  Conversamos muito, até mesmo nos divertimos. Desembarcamos em Juazeiro na tarde de um domingo e eu voltaria a trabalhar na segunda-feira. A prioridade era, no dia seguinte, a Célia procurar um médico. E assim foi. Eu fui trabalhar e ela foi ver o doutor.
Enquanto eu estava no escritório da Cooperativa em que trabalhava, um amigo atendeu a um telefonema. Ele chamou-me estendendo o aparelho e dizendo: “É a Célia.” Quando atendi, demorou um pouquinho para que ela balbuciasse tristemente a frase: “Perdi nosso filho.” Fiz um pequeno intervalo e então pedi a ela que dissesse onde estava que eu a iria buscar. Pedi para que esse meu amigo, o Robson, que atendera ao telefone, me levasse até o terminal de ônibus da cidade. Falei com meu gerente e ele pediu-me que se apressasse a socorrê-la.
A cena que registrei naquele início de tarde também jamais apagarei da minha mente: a Célia estava em pé, sozinha, cabisbaixa, com a mão no queixo. Paramos o carro próximo a ela, desci. Ela me viu, aproximou-se estendendo os braços e disse entre lágrimas: “Me desculpe!” Eu apenas a abracei e a conduzi ao carro. Claro que não tinha pelo que se desculpar. Eu sabia que tudo ficaria bem. Voltamos para nossa casinha, pegamos algumas coisas e logo partimos para o hospital aproveitando a carona de nosso adorável amigo Robson. E mais uma sessão de tratamentos doloridos e repousos tiveram início.
Amigos. Me perdoem por estar expondo isso. Sei que é triste. E olha que nem entrei em muitos detalhes, mas essas experiências servem hoje para que valorizemos cada um dos belos, saudáveis e inteligentes filhos que temos. Os quem lerem isso não precirão mais fazer a costumeira pergunta que ouvimos: “Como vocês conseguem?” A resposta está bem acima: isso tem a ver com confiança e não com loucura.
Dois anos após a perda de nossos dois primeiros e depois de quase nos asseguramos de que jamais poderíamos ter filhos, a Célia engravidou novamente. Não preciso dizer o cuidado extremo que tivemos naqueles três primeiros meses. Mas o João Victor nasceu bem, e como o próprio nome dele sugere, vitoriosamente forte e saudável.
Eu brinco que a partir daí, recebemos todos os atrasados!
Bem, acho que descobri o porquê de ter escrito isso tudo. Foi para eu mesmo. Para que eu nunca esqueça que o que passamos, serve hoje para que eu valorize não só os meus filhos, mas para que eu também encorage e incentive outros casais a terem filhos. E que tomem cuidado com os três primeiros meses de gravidez. Obviamente que não necessariamente passarão pelo que passamos, mas se acontecer (e recentemente uma colega de trabalho perdeu um filho), tenham esperança de que tudo irá bem e que os filhos virão, não sei se na mesma quantidade e intensidade com que experimentei, mas virão.
O que posso dizer, para finalizar, é que as experiências que passamos serviram e servem para que sejamos pessoas melhores, mais fortes e dedicadas ao bem-estar daqueles que estão sobre nossas responsabilidades. Depois de tudo, temos a certeza de que nossos filhos são as maiores bênçãos recebidas das mãos daquele mesmo Deus que pedimos anteriormente que não permitísse que perdêssemos nossos primeiros filhos. Ele sabe a hora e o momento certo. E lembrem-se: as pessoas hoje iludem-se pensando que fazem controle de natalidade. Fazem nada, pois eu aprendi com a minha sábia esposa, certa vez ouvindo um de seus discuros, que “quem sempre está no “controle” é o Pai Celestial.

6 comentários:

  1. lindo!! que um dia eu e o dú tbem possamos passar por essa experiencia sublime.
    abraço

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  2. Passion, lindo post! Estou lendo no trabalho (shame on me!! ) e quase chorando!
    Como te disse por same, você tem uma esposa muito especial e eu adoraria conhecer a Célia!
    Acho que vc não tem a menor idéia disse, mas um dos meus maiores medos é não poder ter um filho e poder sentir esse amor incondicional!

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  3. Muito lindo ...é dificil nao deixa as lagrimas cai. pois sei o quando é doloroso a peder um filho, nao que eu ja tinha perdido, mais teve duas gravidez muito dificil, e das duas tive diagnostico que poderia peder, e isso nos deixa muio.... nao sei é um sentimento que so quem passou é quem sabe... mas na grvidez do segundo fuyi proibida pelos medicos ter mais filhos isso foi ,e é muito triste para me pois ao contrario do que outro acham loucura eu queria ter muitos mais filhos e nao fui proibida ate hoje sofro com isso...mais tb sei de que quem sempre esta no comando é o pai celestial e foi ele que decidiu que eu teria so dois... ainda nao sei qual o proposito mas sei que que vou sabe um dia....bispao sua familia é linda... tenho uma inveja danada pois gostaria de tantos filhos.. sempre digo ao Antonio cada filhos que tremos sao grandes bençao que recebemos...minha maiores beçao aconteceraç durante minha gravidez dificies... obrigada por essa mensagem...

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  4. Paixao, sempre admirei voce como pessoa e devo confessar que teu texto arrancou nao so lagrimas de emocao mas solucos tambem... lindo texto, lindas licoes, que nosso amado Pai Celestial continue abencoando sua familia...

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  5. Lindo post... vocês são muito guerreiros e hoje tem uma família linda e enorme! Vocês são merecedores de toda a felicidade do mundo!

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