Uma receita fora de moda
Vou iniciar esse post me rendedendo à piadinha que eternizou a propagando do Mastercard.
Um quilo de carne de 2ª, 10 reais com Mastercard;
Batatas e demais temperos, 5 reais com Mastercard;
Ensinar sua filha de 12 anos a cozinhar carne de panela, não tem preço!
Hoje, na correria do dia, não tive tempo de terminar o almoço e deixá-lo pronto para meus filhos. Tive então que dar uma aulinha básica de como cozinhar carne em panela de pressão para minha filha #2, a Valéria. Claro que iniciei tudo: descasquei o alho (pasmem!), a cebola, refoguei a carne, adicionei os temperinhos, descasquei as batatas, cortei-as em cubos reservados a parte. Tudo isso explicando para a Valéria como ela teria que “gerenciar” a pressão da panela e o ponto de se adicionar as batatas. Minha preocupação era que ela estava mais interessada em “gerenciar” a vida de sua avatar no The Sims, do que em minhas explicações culinárias.
Por fim, refoguei a carne, pus um pouco de água e coloquei a panela para pegar pressão. Eu então disse a ela que ficasse atenta a quando a panela começaria a chiar e marcasse entre 20 e 25 minutos para desligar o fogo, deixar a pressão acabar, provar a carne para ver se estava amolecida e adicionar as batatas e o cheiro verde. Fui então tomar meu banho, já atrasado.
Depois que me arrumei e estava pronto para sair, vi que o cheirinho da carne denunciava que esta estava quase boa. Então desliguei o fogo da panela, tirei a Valéria da frente do Playstation e disse que, assim que aquela chiadeira terminasse, ela deveria olhar o ponto da carne e fazer aquilo que a instruíra anteriormente. E fui trabalhar!
O resultado foi que ao chegar em casa agora há pouco (estou escrevendo esse post às 23hs), percebi que na panela havia um pouquinho de caldo e uns 4 pedaços de batata, ou seja, pelo menos comeram a carne. Creio que tenha ficado bom!
O que quero dizer com toda essa história?
Aprendi a cozinhar aos meus 10 ou 11 anos. Aos 16, já preparava almoços e jantares para convidados e sempre adorei fazer isso. Mas o mais importante é que nunca passei por apertos na cozinha e pude conquistar (e conquisto até hoje), minha esposa pelo estômago, preparando pratos que a faz sempre recomeçar uma dieta. E me sinto feliz por poder fazer essas coisas, me sinto auto-suficiente e mais capaz.
Meus filhos, a partir do Gabriel, de 9 anos, já sabem preparar ovos, fazer arroz, a própria Valéria prepara deliciosos bolos e o João Victor, o mais velho, aos 13 anos, também já cozinha para convidados preparando pratos como macarronadas, frango ao molho e carnes.
Que bom que eles estão aprendendo, pois assim não ficarão reféns do microondas e do miojo, acabam por preparar comidas e servir seus irmão mais novos quando eu e a Célia não temos tempo de cozinhar as refeições, o que é muito útil para a família.
Mas tirando tudo isso, o mais importante é poder ensinar meus filhos alguma arte, algum dom. Cozinhar, em si, pode ser uma terapia, além de desenvolver o gosto pela aprendizagem e o desejo de aprender algo novo. Creio que saber cozinhar, passar e lavar roupas, costurar e fazer outros pequenos trabalhos domésticos de alguma forma prepara meus filhos para a vida, para os desafios que os esperam.
Tenho visto já há algum tempo meninos e meninas (adolescentes), que mal sabem preparar um macarrão estantâneo, pipoca, então, só se for no microondas. Não creio que isso seja crucial para o seu sucesso na vida, mas acredito que não sabendo realizar pequenas tarefas domésticas, poderá fazê-los sofrer um pouquinho a mais na vida, sobretudo se tiverem planos de morar sozinhos ou mesmo fazer viagens longas a estudos ou a negócios.
Claro que o ideal é que se estude, trabalhe muito e alcance sucesso suficeiente para que tenham empregados, cozinheiros, costureiras etc. Mas e se esse sucesso custar um pouquinho a chegar? Será que, sabendo dessas coisas, nossos jovens não terão facilitadas a escalada deles a esse sucesso?
O que vejo é que tudo isso está intimamente ligado à auto-confiança e à auto-suficiencia dos indivíduos. Uma mulher que se casa hoje (e tenho visto algumas), que não saibam preparar uma lasanha – que não seja aquelas prontas que vão ao microondas – acabam por se sentir frustradas por não poder preparar algo especial para chamar a atenção de seu esposo e vice versa.
Quero muito que meus filhos continuem olhando os exemplos meus e de minha esposa no tocante a administrar a casa e seus afazeres. Acredito que eles serão pessoas melhores e se sentirão mais úteis mesmo se não precisarem executar essas tarefas. Sei que isso tudo os ajudará nos momentos de aperto quando o papai e a mamãe não estiverem por perto.
É claro que é preciso ter muito cuidado, mexer com fogo, ferro de passar, máquinas, facas e outros apetrechos podem serperigosos, por isso que estou sempre por perto dando as orientações, mas também é preciso deixar que eles experiementem, descubram e sintam-se realizados ao concluir um belo prato ou um reparo que fizerem em uma calça.
Trabalho nunca é demais e aprender coisas simples e úteis nunca é conhecimento inútil. Por fim, uma última coisa que quero expressar é: passar alguns minutos com seus filhos ensinando a eles afazeres domésticos, tal como fiquei hoje com minha adorável menina, é aquele tipo de experiência que edifica, estreita os laços e ficam guardadas como doces recordações. E esse tipo de coisa não se leva ao microondas e nem mesmo demora apenas 3 minutinhos para ficar pronto, esses tipos de emoções e sentimentos, levamos conosco por toda uma vida!

nossa!!! foi uma terapia para mim,somente ler tudo isso...muito bonita essa sua atitude, com certeza esses ensinamentos levarão consigo pelo resto de suas vidas.parabéns pelo sucesso e continue nos ensinando também rsrsrs por que com essa lição de vida te garanto que pude aprender não o bastante ,mais o suficiente para hj!!!! um abraço família paixão....
ResponderExcluir