quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Uma receita fora de moda


Uma receita fora de moda

Vou iniciar esse post me rendedendo à piadinha que eternizou a propagando do Mastercard.

Um quilo de carne de 2ª, 10 reais com Mastercard;
Batatas e demais temperos, 5 reais com Mastercard;
Ensinar sua filha de 12 anos a cozinhar carne de panela, não tem preço!

Hoje, na correria do dia, não tive tempo de terminar o almoço e deixá-lo pronto para meus filhos. Tive então que dar uma aulinha básica de como cozinhar carne em panela de pressão para minha filha #2, a Valéria. Claro que iniciei tudo: descasquei o alho (pasmem!), a cebola, refoguei a carne, adicionei os temperinhos, descasquei as batatas, cortei-as em cubos reservados a parte. Tudo isso explicando para a Valéria como ela teria que “gerenciar” a pressão da panela e o ponto de se adicionar as batatas. Minha preocupação era que ela estava mais interessada em “gerenciar” a vida de sua avatar no The Sims, do que em minhas explicações culinárias.
Por fim, refoguei a carne, pus um pouco de água e coloquei a panela para pegar pressão. Eu então disse a ela que ficasse atenta a quando a panela começaria a chiar e marcasse entre 20 e 25 minutos para desligar o fogo, deixar a pressão acabar, provar a carne para ver se estava amolecida e adicionar as batatas e o cheiro verde. Fui então tomar meu banho, já atrasado.
Depois que me arrumei e estava pronto para sair, vi que o cheirinho da carne denunciava que esta estava quase boa. Então desliguei o fogo da panela, tirei a Valéria da frente do Playstation e disse que, assim que aquela chiadeira terminasse, ela deveria olhar o ponto da carne e fazer aquilo que a instruíra anteriormente. E fui trabalhar!
O resultado foi que ao chegar em casa agora há pouco (estou escrevendo esse post às 23hs), percebi que na panela havia um pouquinho de caldo e uns 4 pedaços de batata, ou seja, pelo menos comeram a carne. Creio que tenha ficado bom!

O que quero dizer com toda essa história?
Aprendi a cozinhar aos meus 10 ou 11 anos. Aos 16, já preparava almoços e jantares para convidados e sempre adorei fazer isso. Mas o mais importante é que nunca passei por apertos na cozinha e pude conquistar (e conquisto até hoje), minha esposa pelo estômago, preparando pratos que a faz sempre recomeçar uma dieta. E me sinto feliz por poder fazer essas coisas, me sinto auto-suficiente e mais capaz.
Meus filhos, a partir do Gabriel, de 9 anos, já sabem preparar ovos, fazer arroz, a própria Valéria prepara deliciosos bolos e o João Victor, o mais velho, aos 13 anos, também já cozinha para convidados preparando pratos como macarronadas, frango ao molho e carnes.
Que bom que eles estão aprendendo, pois assim não ficarão reféns do microondas e do miojo, acabam por preparar comidas e servir seus irmão mais novos quando eu e a Célia não temos tempo de cozinhar as refeições, o que é muito útil para a família.

Mas tirando tudo isso, o mais importante é poder ensinar meus filhos alguma arte, algum dom. Cozinhar, em si, pode ser uma terapia, além de desenvolver o gosto pela aprendizagem e o desejo de aprender algo novo. Creio que saber cozinhar, passar e lavar roupas, costurar e fazer outros pequenos trabalhos domésticos de alguma forma prepara meus filhos para a vida, para os desafios que os esperam.
Tenho visto já há algum tempo meninos e meninas (adolescentes), que mal sabem preparar um macarrão estantâneo, pipoca, então, só se for no microondas. Não creio que isso seja crucial para o seu sucesso na vida, mas acredito que não sabendo realizar pequenas tarefas domésticas, poderá fazê-los sofrer um pouquinho a mais na vida, sobretudo se tiverem planos de morar sozinhos ou mesmo fazer viagens longas a estudos ou a negócios.
Claro que o ideal é que se estude, trabalhe muito e alcance sucesso suficeiente para que tenham empregados, cozinheiros, costureiras etc. Mas e se esse sucesso custar um pouquinho a chegar? Será que, sabendo dessas coisas, nossos jovens não terão facilitadas a escalada deles a esse sucesso?
O que vejo é que tudo isso está intimamente ligado à auto-confiança e à auto-suficiencia dos indivíduos. Uma mulher que se casa hoje (e tenho visto algumas), que não saibam preparar uma lasanha – que não seja aquelas prontas que vão ao microondas – acabam por se sentir frustradas por não poder preparar algo especial para chamar a atenção de seu esposo e vice versa.
Quero muito que meus filhos continuem olhando os exemplos meus e de minha esposa no tocante a administrar a casa e seus afazeres. Acredito que eles serão pessoas melhores e se sentirão mais úteis mesmo se não precisarem executar essas tarefas. Sei que isso tudo os ajudará nos momentos de aperto quando o papai e a mamãe não estiverem por perto.
É claro que é preciso ter muito cuidado, mexer com fogo, ferro de passar, máquinas, facas e outros apetrechos podem serperigosos, por isso que estou sempre por perto dando as orientações, mas também é preciso deixar que eles experiementem, descubram e sintam-se realizados ao concluir um belo prato ou um reparo que fizerem em uma calça.
Trabalho nunca é demais e aprender coisas simples e úteis nunca é conhecimento inútil. Por fim, uma última coisa que quero expressar é: passar alguns minutos com seus filhos ensinando a eles afazeres domésticos, tal como fiquei hoje com minha adorável menina, é aquele tipo de experiência que edifica, estreita os laços e ficam guardadas como doces recordações. E esse tipo de coisa não se leva ao microondas e nem mesmo demora apenas 3 minutinhos para ficar pronto, esses tipos de emoções e sentimentos, levamos conosco por toda uma vida!

Um comentário:

  1. nossa!!! foi uma terapia para mim,somente ler tudo isso...muito bonita essa sua atitude, com certeza esses ensinamentos levarão consigo pelo resto de suas vidas.parabéns pelo sucesso e continue nos ensinando também rsrsrs por que com essa lição de vida te garanto que pude aprender não o bastante ,mais o suficiente para hj!!!! um abraço família paixão....

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