sexta-feira, 9 de setembro de 2011

E o assunto é Filhos, novamente.



O bom de se trabalhar a tarde é que pela manhã, além de ficar com as crianças em casa, é possível assistir a alguns programas de TV, tais como desenhos animados e, zapiando um pouquinho mais, programas matinais tais como o Mais Você.
A primeira reportagem me chamou a atenção. Falava da diminuição da quantidade dos filhos nas famílias desde a década de 50 até agora. Alguns dados de pesquisa feita pelo IBGE, indicam que a quantidade de filhos por família diminuiu em 6.1 nos últimos 50 anos , que queda brusca, não? A segunda informação que a pesquisa trás é que 14% das mulheres já não veem mais a maternidade como uma obrigação.
Rodaram então, uma reportagem sobre um de paraibanos que moram no Rio de Janeiro e que já estão casados há mais de 10 anos. Aparentemente eles têm uma vida financeiramente estável, embora tenham profissões que não são das mais bem remuneradas, porém relataram as conquistas como duas ou três casas que eles possuem e outros bens.
Mas o ponto central da reportagem é que ela não quer ter filhos e ele, quer.
Interessante foi a entrevista em separado com cada um. A mulher, por nome Dóris, falou calmamente que não deseja ter filhos agora e nem por alguns aninhos pra frente, justificou que eles (o casal), não têm estrutura para isso, que não quer engordar agora, enfim, não quer de jeito nenhum.
Já a entrevista com o Edinho (o esposo), foi peculiarmente interessante. Ele disse que gostaria muito ter um filho e que vê amigos que se casaram na mesma época que eles e que hoje já tem filhos com 11 anos. Aqui o Edinho pausa, abaixa a cabeça e chora, mas ele chora mesmo, enquanto ele enxugava as lágrima era possível ver outras lágrimas escorrendo pela face. A repórter insistia em perguntar qual era o sentimento que ele tinha ao saber que outros amigos já tinham filhos e ele não. Ele apenas dizia que ía na casa desses amigos e adorava conversar e brincar com as crianças e sentia que podia ter uma também. Questionado pela preferência de menino ou menina, Edinho dizia que para ele tanto fazia, pois gostava de ambos. Foi aqui que me tirou a atenção, um comentário bem humorado da Valéria: “Dá um pra ele, pai!” :0)

Nos estúdios do Mais Você estava assistindo à matéria com a Ana Maria Braga, o psicanalista e, creio que também sexólogo, Doutor Flávio Gikovate. A análise dele foi interessante, embasado em comportamentos que influenciavam as famílias na dédaca de 50 e que perderam o sentido e algum valor nos dias de hoje. Entre essas influências que se modificaram de lá para cá estão a religião e a fé no mandamento de crescer, multiplicar e encher a Terra, o que particularmente ele pensa que as pessoas obedeceram a isso sem muita responsabilidade ou sem pensar corretamente; também falou sobre as conquistas da mulher na sociedade, tanto na sua independência financeira como os movimentos feministas, os quais ajudaram a mulher a pensar melhor e com mais liberdade. Também justificou que uma criança hoje dá muito mais trabalho do que a criança de 50 anos atrás.
A tônica da análise do Dr Gikovate era mesmo a liberdade do pensamento, reforçava que as pessoas têm aprendido, ainda que com um certo receio, a pensar com mais liberdade. Inclusive fez uma crítica à Dóris – a mulher da matéria –  a qual não tinha a coragem necessária de assumir perante os familiares, sobretudo entre as demais mulheres da família, que tinha uma posição formada sobre seu desejo de não querer ter filhos agora.
Uma coisa importante que o Doutor disse e eu concordo, é que os casais precisam decidir juntos e no início do relacionamento sobre quando ter, como ter e quantos filhos querem ter. Porque depois de estabilizado o relacionamento, fica mais difícil de se discutir esse tipo de decisão.

Aqui está um link sobre a reportagem do programa: http://maisvoce.globo.com/MaisVoce/0,,MUL1672451-18172,00.html

A minha opinião, acho que todos aqueles que acompanham esse Blog, sabem. Eu sou a favor de deixar vir os filhos, é bom que o casal tenha uma estrutura, mas creio que os filhos são também parte de uma estrutura dentro do casamento. Também sou a favor de que a família decida, como citei no parágrafo anterior, e que o homem respeite o desejo da mulher.
O que eu posso dizer, não baseado em pesquisas ou teorias, mas na minha própria experiência, é que filhos são parte vital dentro de um lar. Eles quebram a rotina, adicionam conhecimentos, ajudam os pais a exercitar e desenvolver o amor, a paciência, o bom exemplo, o ensino, o altruísmo, dentre outras virtudes.
Eu sinceramente fiquei impressionado com o perfil do casal que participou da matéria, pois eu esperava o esteriótipo da super mulher atual: executiva, cheia de projetos profissionais, preocupada com o seu desenvolvimento sócio-cultural, que quer mais tempo pra si, sem carregar a responsabilidade de ter alguém, que não o marido, prendendo ela em casa. Mas o casal da matéria era muito simples, ela aparentava, inclusive, ser bem dona-de-casa, mesmo.
Isso mostra que a tendência de se adiar ou mesmo evitar filhos, vem abrangendo todas as classes e camadas sociais. Se isso é bom ou ruim eu deixo para o julgamento e comentário de quem estiver lendo esse post. A minha opinião é bem formada a respeito do assunto, mas não quero impô-la. Deixo apenas a reflexão de como estamos tratando esse dom natural e sagrado que carregamos dentro de nós, de gerar vidas?
Termino refletindo ainda sobre uma imagem que me chamou a atenção na tal matéria. Durante a entrevista em separado com o Edinho, era possível ver ele chorando e tentando enxugar as lágrimas, mas algumas teimavam em cair sobre o pelo impecavelmente bem escovado de um lindo Yorkshire que repousava em seu colo!

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