Meu post de hoje refere-se a um dos piores inimigos do casamento ou do relacionamento familiar: a culpa.
Anteriormente falei um pouco sobre a razão, esse troféu cobiçado por todos aqueles que entram em uma discussão ou em uma boa disputa por idéias. No caso da culpa, ocorre exatamente o contrário, ninguém quer ficar com ela, mais do que isso, as pessoas tentam jogá-la em alguém. Em se tratando de um relacionamento conjugal, adivinhe aonde ela vai parar?
Um famoso filósofo americano, radicado em Springfield, chamado Homer Simpson disse certa feita: “A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser.”
A fala de Homer é fascinante pelo seu contexto realista e por dizer coisas que geralmente tentamos esconder de nós mesmos e dos outros. A verdade é que sempre procuramos colocar a culpa de algo que dá errado em alguém, pois isso é muito mais fácil do que admitir que precisamos pedir desculpas e nos tornarmos melhores, isso também dá muito trabalho e leva tempo.
Um dos maiores malefícios da culpa é a corrosão da auto-estima sobre aquele que sempre a leva. Isso vai gradualmente aumentando e pode desenvolver-se para uma depressão ou mesmo interferir em futuras decisões na vida, pois a pessoa vai ter medo de tomar qualquer iniciativa por receio de errar.
Uma pessoa que leva a culpa em quase todas as discussões conjugais e a aceita constantemente, irá alimentar um temor pela vida e não terá estímulos para lidar com conflitos e desafios no dia a dia. Faltará a essa pessoa, a determinação necessária para posicionar-se e isso inevitavelmente a fará sofrer por sentir-se incapaz de reagir.
Parece que falo de tudo isso valendo-me de base científica ou estudos e pesquisas, mas não é. Tenho observado casais e familiares que constantemente trabalham para triunfar no depósito sumário da culpa no cônjuge ou em algum membro da família. Claro que também uso de experiências pessoais, pois ao longo do tempo fui aprendendo a assumir minhas responsabilidades pelas decisões erradas que já tomei, tanto na vida profissional, como na secular, como na espiritual.
E qual seria o remédio para se curar esse grande mal que acomete tantas pessoas dentro das paredes de seus lares? Acredito que a humildade e a compaixão sejam os antídotos necessários para se vencer esse impulso quase que instintivo de nós seres humanos. Quanto mais tentamos purgar de nossas vidas a responsabilidade por nossas ações, mais arrogantes e orgulhosos nos tornamos. Ao sermos humildes e reconhecermos que estamos errados ou que as fases ruins que normalmente passamos na vida foram frutos de nossas próprias decisões, então estaremos agindo em conformidade com a prática de um bom relacionamento familiar e passaremos assim a focar a solução e não a causa dos problemas.
Por outro lado, pessoas orgulhosas e insensíveis vão engendrar todos os esforços para transferir a responsabilidade de seus infortúnios para os ombros daquele que estiver mais próximo. Inclusive isso pode ser feito de maneira violenta e abusiva, seja física, mental ou emocional.
Algo também muito importante é reconhecermos que fases ruins e decisões erradas sempre vão fazer parte de nossa vida. Ninguém acerta 100% de suas decisões, se alguém o faz, ou é muito sortudo ou estará condenado a uma vida sem desafios e crescimento.
Certa vez, conversando com um professor na Faculdade, eu disse a ele que havia tomado alguns prejuízos na vida profissional por conta de algumas decisões erradas que tomara. Ele então me disse algo que eu jamais havia pensado: que eu só errara porque tivera a capacidade e a coragem de decidir, e que com isso me ensinaria a ser mais maduro e a pensar melhor antes de tomar novas decisões.
Tive um amigo que gostava de dizer: “Eu sei que na vida nós aprendemos com nossos erros, o problema é que eu já não aguento mais aprender.”
Outro conselho que deixo é que ao invés de culparmos e criticarmos uns aos outros, profiramos mais palavras de encorajamento e usemos de um tom mais positivo. Procuremos demonstrar mais amor e afeto para com aqueles que estão próximos a nós e que tomaram decisões erradas na vida. Assumamos a responsabilidade por nossos atos e decisões, sobretudo quando não derem certo.
O mesmo filósofo bonachão que citei no início desse post também fez uma declaração muito infeliz ao ensinar seu filho Bart: “Se você sorrir diante de uma situação difícil, é sinal que já sabe em quem colocar a culpa.”
Amigos, acreditem. Colocar a culpa e o ônus de infortúnios de nossas vidas sobre outros poderá causar feridas que tenderão a não cicatrizar com o tempo, ao invés disso, estarão sempre expostas e infeccionarão pela ação do ódio e do rancor. Lembrem-se de encorajar e elevar o moral de seus amados quando tomarem decisões erradas. Acolham, demonstrem carinho e ponham-se a ajudar aqueles que estiverem com suas consciências pesadas devido às consequências de escolhas erradas que tomaram nessa difícil arte de viver. Temos a péssima capacidade, não sei se cultural ou nata, de valorizarmos mais o erro do que os acertos uns dos outros e isso é muito prejudicial.
Espero que valorizemos mais as boas ações e reconheçamos as pessoas próximas a nós, um elogio ao invés de uma acusação, pode ajudar a aumentar a auto-estima e mesmo colocar as pessoas no rumo certo. Isso não é difícil, é fácil e não custa absolutamente nada!

Culpa - acredito que esse seja o maior desafio do ser humano. Claro aquele que tem valores, que acredita em Deus (não interessa qual seja a religião), que ama pessoas e que ama a vida.
ResponderExcluirA culpa assombra, paralisa, perturba e persegue. A culpa faz o coração apertar de uma maneira que só quem a sente pode entender e descrever.
Culpa por um ato pequeno e sem grandes consequências, culpa por algo grave e com consequências a todos que nos cercam.... não interessa qual a culpa que se carrega... qual o tamanho e o quanto ela faz o coração torcer dentro do peito.
A sociedade culpa, as religiões culpam, as pessoas culpam, nossos amados culpam....
A vida culpa através das consequências dos atos... e aqui é inevitável lembrar o famoso dito: "colhemos o que plantamos".
A culpa maltrata. Transforma-se numa luta diária àqueles que querem se livrar e voltar à alegria de viver sem sua cia.
Nada melhor de que uma decisão bem pensada, com a devida consciência de todas as conseqûencias para que, ainda que a decisão tomada tenha sido a errada, tenha-se em mente a certeza de ter tentado o melhor, com a melhor das intenções.
Thais Brentari
Maravilha de comentário, Thais! o Importante é ter em mente que a esperança é o remédio para aplacar a dor da culpa e renovar nossa vida.
ResponderExcluirSem dúvida..... enquanto a culpa paralisa a esperança nos faz mover, seguir adiante, retomar nossos sonhos... faz viver!
ResponderExcluirThais Brentari
Penso que colocar a culpa nos outros seja como colocar em si mesmo uma espécie de máscara que o protege ou esconde da vergonha, do medo de assumir. Pena que ao fazê-lo perde a oportunidade de aprender com este erro e de demonstrar coragem e força de caráter; deixa de aprender e de se fortalecer por pura covardia e acaba acusando o outro como se fosse ele o mais forte e digno. e se isso se torna uma prática constante, torna-se como uma droga que vicia e passa-se a fazer automaticamente. Pena !!
ResponderExcluirNeidinha Lopes